domingo, 23 de fevereiro de 2014

Previsão: Most Improved Player 2013/2014


A temporada iniciou agora a sua segunda parte, após o final do fim-de-semana Al l Star, altura sempre propícia para uma perigosa previsão sobre os jogadores que mais evoluíram desde a época transacta. Como todos os anos, muitos candidatos se perfilam, o que obriga, desde logo, a um exercício de filtração do excesso de jogadores. Para tal, importa realçar que o prémio de Most Improved Player (MIP) cedido pela NBA ao atleta que maior evolução registou no seu jogo a cada temporada (no ano passado, o vencedor foi Paul George) é, sobretudo, uma menção baseada na qualidade da contribuição para o sucesso da equipa e não na quantidade. Ou seja, há muitos nomeados crónicos que surgem como candidatos em relação aos quais não existe, de facto, uma evidente melhoria qualitativa no seu jogo, mas apenas um aumento do número de minutos em campo, o que faz, naturalmente, aumentar o seu impacto estatístico no jogo a nível de pontos, assistências e ressaltos, mas pode nada significar a nível de evolução como atleta.


Partindo de tal consideração, há alguns jogadores que vamos, desde já, afastar. Terrence Jones, dos Houston Rockets, tem sido um dos jogadores mais invocados para o MIP. Contudo, analisando a sua temporada constata-se que, apesar de existir um evidente salto na sua importância na equipa, particularmente como ressaltador e lançador a curta e média distância, a melhoria no seu contributo tende a seguir o padrão de um jogador de 2ª época de NBA a quem são concedidos mais minutos – ou, no caso, a titularidade. Jones melhorou alguns aspectos do seu jogo – nomeadamente a eficácia do seu lançamento – mas, no geral, as suas médias apenas se ajustaram ao aumentar de minutos em campo. A mesma conclusão vale para Gerald Green e Eric Bledsoe, dos Phoenix Suns. Por outro lado, jogadores como Anthony Davis ou Kendall Marshall não serão por nós considerados porquanto chegam a esta temporada após uma época complicada, seja por lesões ou por se encontrarem sem equipa, que torna menos rigoroso o processo de verificar da sua real evolução qualitativa. Mas elenquemos então a nossa lista de favoritos:


- John Wall. O base dos Washington está esta temporada a manter os seus registos individuais na casa dos 20 pontos e 8 assistências, mas a sua evolução como jogador e líder é inegável. A nível defensivo, Wall é já o 5º jogador da NBA com mais roubos de bola e o 2º base em bloqueios. O seu lançamento exterior, em particular da zona de 3 pontos, passou de inexistente a uns interessantes 33% e da linha de lance livre o base aumentou a sua eficiência de 80% para 83%. A isto acresce que John Wall se tornou, esta época, o líder incontestado em Washington, assumindo o objectivo dos playoffs e motivando os seus colegas a elevarem o seu jogo.



- Goran Dragic, dos Suns, é um dos mais fortes candidatos a arrecadar o prémio. O base esloveno em pouco alterou a sua média de minutos em relação à época transacta, mas aumentou a sua contribuição a nível de pontos (já leva uma média de 20 por partida), eficácia de lançamento livre, lançamento de 3 pontos e lançamentos de curta e média distância, registando máximos de carreira nos três últimos. O seu número de assistência decaiu de 7 para 6, mas a quebra compreende-se em virtude de Dragic surgir esta época mais numa posição de atirador, face à presença de Bledsoe. A surpreendente época dos Phoenix pode bem servir de argumento para que Dragic seja MIP.


     - Lance Stephenson. Para muitos favorito, o jovem de Indiana agarrou o seu lugar a titular nos Pacers e tem-se destacado como uma ameaça ofensiva, capaz de um triplo duplo a qualquer noite. Lance está a registar recordes de carreira em lançamentos de curta e média distância e da linha de 3 pontos, aumentou os seus ressaltos de 4 para 7 e as suas assistências de 3 para 5 – tudo isto com um mero aumento de 6 minutos de presença em campo. É o grande favorito.

 *Menções honrosas: Jared Sullinger, dos Celtics; Blake Griffin, dos Clippers; Kyle Lowry dos Raptors.

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sábado, 22 de fevereiro de 2014

D.J. Augustin, o herói improvável


Na passada quarta-feira (dia 19 de Fevereiro) os Bulls deslocaram-se a Toronto, num confronto importante na disputa por um lugar no pódio da Conferência Este. Mas outro ponto de interesse foi o regresso de D.J. Augustin ao Canadá, de onde havia sido dispensado no início de Novembro, na sequência da troca que envolveu a mudança de Rudy Gay para Sacramento. D.J. apareceu no Air Canada Centre com desejo de provar o seu valor e o seu contributo foi determinante, esclarecendo os fãs dos Raptors sobre o valor da peça que tinham deixado sair pela porta pequena: com 19 pontos, com 4 triplos em 5 tentados. O jogo do base nem foi brilhante, mas foi suficiente para provar da sua versatilidade e capacidade para alinhar em qualquer equipa da NBA. Pelo meio, vingou-se de alguns fãs, discutindo com adeptos dos Raptors e festejando efusivamente o sucesso dos Bulls.
                
      Contudo, a presente temporada começou da pior forma possível para D.J. Augustin. Na sua 6ª época na Liga, o base americano aterrou em Toronto depois de uma época em Indiana onde registou o seu recorde de menos minutos por partida. Muito mudou em 2 anos para D.J.: em 2011 era titular em Charlotte, com médias de 14 pontos e 6 assistências, e na recta final de 2013 perdeu espaço na rotação dos Raptors, o que viria a conduzir à sua dispensa. Aos 26 anos D.J. estava sem equipa, cenário nunca animador para um atleta que ambicione a longevidade na NBA.


Os Bulls, feridos por mais uma lesão de Derrick Rose e as perspectivas de um back court órfão de um point guard com calibre para combinar com Boozer, Noah e companhia – Hinrich sente-se mais confortável na posição de atirador e M. Teague desapontou – estavam atentos e poucos dias após D.J. aterrar na free agency garantiram o seu concurso. Os Bulls caminhavam para um abismo, mas a chegada do base veio a coincidir com o ressuscitar da competitividade da equipa e consequente regresso às vitórias, mesmo após a troca de Luol Deng. D.J. Augustin leva, em 34 jogos, um impressionante registo de 14 pontos e 6 assistências, com uma eficácia de 45% da linha de 3 pontos – números esses que sobem para 18 pontos e 7 assistências quando titular.


                D.J. Augustin tornou-se o maestro para uma orquestra desordenada em Chicago. Comparando estatísticas, verifica-se que o base tem uma média de minutos com a bola nas mãos semelhante à Chris Paul, Lillard e Curry. Tom Thibodeau deu-lhe as chaves do carro: é ele quem coordena as ofensivas, promovendo pick and rolls com os gigantes de Chicago que terminam com um lançamento isolado ou a assistência para debaixo do cesto. Mas é sobretudo o clima de confiança nas suas capacidades que elevou o jogo de D.J.: ao contrário do que acontecia em Toronto, o base sabe que não está a um erro de ficar sentado no fundo do banco durante os jogos seguintes, e isso liberta a sua criatividade.
                A influência do base – que coincide igualmente com a afirmação da equipa dos Bulls no 2º lugar da Divisão Central – tem sido destacada pelos próprios colegas e treinador:

“Ele mudou tudo. A equipa estava mal e o D.J. chegou para nos facilitar a ofensiva, marcar pontos. Acredito que sem ele não teria chegado ao jogo All-Star” - Joakim Noah


“Nós tínhamos uma grande necessidade de um base criativo e o D.J. apareceu disponível. Foi excelente timing e uma grande felicidade para nós.” – Tom Thibodeau

                Aos 26 anos, Augustin conquistou o seu lugar na NBA – ou pelo menos em Chicago – e é a prova viva de que na Liga há uma fronteira muito ténue entre o insucesso e os playoffs que pode muitas vezes ser ultrapassada com a adição de um jogador dispensado.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Uma nova geração em OKC

     
       
      Os Oklahoma City Thunder são uma das melhores equipas da NBA (lideram, aliás, a Liga com apenas 12 derrotas). Liderados por Kevin Durant, a fazer uma época monstruosa e, para já, candidato mais forte a arrecadar o título de MVP, são particularmente temidos pelo Big Three que conseguiram formar nos curtos anos de existência da equipa – juntam-se a Durant, Russell Westbrook (esta época tem estado afastado por leões) e Serge Ibaka (o espanhol nascido do Congo que está a registar uma inacreditável temporada, com médias de 17 pontos, 10 ressaltos e 3 bloqueios por jogo). Mas o segredo para conquistar campeonatos reside não apenas na qualidade das estrelas: é imprescindível rodeá-las com role players preparados para saltar do banco e garantir a qualidade defensiva e ofensiva, permitindo às principais figuras preciosos minutos de descanso. Neste aspecto, a equipa de OKC tem batalhado para atingir a fórmula perfeita. Se na primeira corrida ao título, há 3 temporadas, com James Harden – já All-Star e líder em Houston - como figura principal do banco, ficaram bastante aquém dos Miami Heat nas Finais, conseguirão fazê-lo com outros atletas sem o rótulo de estrelas? A questão merece estudo – afinal, só conhecendo a nova geração de jogadores de Oklahoma poderemos prever o impacto nos playoffs.


Reggie Jackson e Jeremy Lamb herdaram a difícil tarefa de contribuir com os pontos e minutos que outrora pertenceram a James Harden e Kevin Martin. Enquanto jovens jogadores, enquadram-se perfeitamente no que tem sido a política de contratações da equipa do Oeste. Há um padrão na aposta em jovens, com contratos baratos e carentes de provar o seu valor que continua bem patente no duo Jackson-Lamb. Com a companhia de Durant, Westbrook, Ibaka e Fisher, os pupilos de Scott Brooks encontram um cenário propício de cruzamento entre qualidade e veterania para o crescimento como atletas e profissionais.

Reggie Jackson, com 23 anos e na terceira temporada com os Thunder, tem surgido em excelente plano perante a difícil de tarefa de preencher o lugar de Westbrook, ausente devido a lesões. Desde o primeiro ano que o jovem base tem registado evidentes melhorias no jogo ofensivo e eficácia do lançamento – e isso evidencia-se nas estatísticas. Esta temporada, com mais minutos e jogos a titular, consagrou-se como uma solução ofensiva de valor: 17 pontos e 5 assistências por partida. O que mais se destaca em Jackson é a facilidade de criação de jogadas ofensivas, aliviando Durant da carga de ser o playmaker e o finalizador das ofensivas. Aos 23 anos, o base destaca-se pela criatividade, facilidade de lançamento e velocidade. Quando Westbrook voltar, Derek Fisher não vai ter vida fácil para conseguir minutos no court face à concorrência de Reggie Jackson.

Jeremy Lamb, 21 anos, foi desde a chegada a Oklahoma alvo de elevadas expectativas, em torno da sua contribuição ofensiva, que acabaram por se traduzir num efeito nocivo no seu rendimento durante o ano passado. As oportunidades acabaram por ser poucas (apenas 23 jogos e média de 6 minutos), o que levou muitos a duvidarem da capacidade de nesta época poder ser já um verdadeiro contribuidor. Mas Lamb encontrou o seu espaço na manobra da equipa, beneficiando dos double teams feitos a Durant, Jackson e Ibaka para conseguir bons lançamentos e ir ganhando confiança. Até agora, Lamb tem um bom registo, com 10 pontos e 50% em lançamentos de 2 pontos. Somado com Jackson, o duo garante uns sólidos 27 pontos por partida, preenchendo bem o papel de James Harden ou Kevin Martin.


Para lá destas duas maiores vedetas que saltam no banco, há mais um nome que tem ganho consenso como uma das futuras estrelas da NBA: Steven Adams. O gigante chegou, por opção, muito novo à NBA (tem 20 anos), mas o seu potencial tem deixado muita expectativa em torno dos fãs de OKC. Ao contrário de Perkins, o jovem da Nova Zelândia traz à equipa um estilo de jogo mais instintivo e a capacidade de finalizar debaixo do cesto, através pump fakes ou rápidas desmarcações. O seu impacto em campo ainda não se traduz nas estatísticas individuais, mas colectivamente o neo-zelandês permite a Scoot Brooks pôr em campo uma equipa mais versátil e veloz nos momentos ofensivos.

A fechar, falemos de Perry Jones, porventura o jovem mais desconhecido dos quatro, mas que, aos poucos, vai despertando atenções pelas capacidades ofensivas e contributo defensivo (na primeira partida da fase regular contra os Heat passou alguns minutos a defender Ray Allen e até LeBron, deixando uma boa imagem perante a dificílima tarefa). O forward é um dos jogadores mais rápidos na equipa dos OKC, o que lhe permite defender qualquer jogador adversário. No seu segundo ano de NBA, Perry Jones faz lembrar um jovem Iguodala ou Paul George a menor escala. É daqueles que, a qualquer momento, vai ter um jogo de explosão.


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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

76ers: do insucesso colectivo às oportunidades individuais


     Em inícios de Fevereiro os Philadelphia 76ers rumaram ao Oeste para defrontar, em dois dias seguidos, os Clippers e Warriors. O resultado foi terrível e marcou um dos piores registos da Liga: os 76ers perderam ambos os jogos por um total combinado de 88 pontos. Mas Sam Hinkie, o General Manager da equipa, não ficou certamente decepcionado: afinal, construiu a equipa para o fracasso – o chamado tanking – para que, no próximo draft, garanta uma das primeiras escolhas e consiga trazer uma estrela em potência para Philadelphia.

     
     A decisão mais mediática foi a troca de Jrue Holiday para New Orleans por troca com Nerlens Noel – um rookie lesionado, que falhará toda a temporada 2013/2014. Era uma declaração de tanking. Agora que a época vai a meio é interessante constatar que os Philadelphia, se tivessem mantido Jrue Holiday, teriam certamente equipa para lutar pelos playoffs no Este – Jrue Holiday, Michael Carter-Williams, Evan Turner, Thaddeus Young, Spencer Hawes, etc.. Mas Philadelphia não se arrepende da decisão e continua a apostar no próximo Draft, como o comprova a disponibilidade para trocar Young e Turner.


     Se ter uma equipa propositadamente montada para o insucesso pode chocar a essência competitiva do desporto, nem sempre isso se vai traduzir em partidas difíceis de ver (apesar do ocasional lançamento em suspensão de Elton Brand, capaz de arrepiar o fã menos sensível de basquetebol). A verdade é que a aposta – ou falta dela – dos Philadelphia tem paralelamente permitido que muitos jogadores, que em qualquer outro cenário não teriam muitos minutos na NBA, apareçam e se exibam no melhor palco do Mundo. E, quando assim acontece, nascem jogadores interessantes, versáteis e, sobretudo, baratos que muitas equipas cobiçarão.

     São exemplo disto James Anderson, Tony Wroten e Elliot Williams. James Anderson, após passagens complicadas por San Antonio e Houston, chegou este ano, pela primeira vez, a uma media superior a 20 minutos por partida. O versátil jogador soma 10 pontos por partida e uma eficiência de 56% em lançamentos de 2 pontos.  Já o base-atirador Tony Wroten tem-se destacado como uma das melhores novidades da NBA nesta época. Escolhido por Memphis no Draft, aterrou em Philadelphia após uma passage infeliz pelos Grizzlies e tem sido uma peça importante da equipa dos 76ers: em 24 minutos por jogo contribui com 13 pontos, 3 ressaltos e 3 assistências, tendo por especialidade o ataque ao cesto. Por fim, Elliot Williams, após não ter jogado durante a época de 2012-2013, surgiu em Philadelphia como um interessante role player – aufere, este ano, menos de 800.000 dólares – que tem contribuído, ainda que a uma escala menor, com alguns bons detalhes.


     Estes jogadores acabam, graças a este sinistro cenário de tanking, por garantir um contrato na Liga, pelo menos para os próximos anos – seja em Philadelphia ou em qualquer outro franchise. Já os 76ers ganham peças para o plano futuro de regresso ao topo do Este. Com Michael Carter-Williams, Evan Turner ou Thaddeus Young, Nerlens Noel (que é, apesar da lesão, um atleta promissor, especialista em bloquear lançamentos) e o jogador ou jogadores provenientes do Draft deste ano, podem sonhar com uma geração duradoura. Até lá, resta ter paciência.